Wagner Moura afirmou em 1 de julho de 2026, em Lisboa, que a vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro seria “uma tragédia” para o Brasil.
A declaração foi feita na coletiva de imprensa do Centro Cultural de Belém, enquanto o ator promovia a peça “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”.
Moura criticou a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a presidência e pediu mobilização da sociedade civil em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ator ainda alertou sobre risco de interferência dos Estados Unidos no pleito brasileiro.
O ator Wagner Moura afirmou nesta quarta-feira (1º.jul.2026), em Lisboa, que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições presidenciais de outubro “seria uma tragédia” para o Brasil. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Centro Cultural de Belém (CCB), na capital portuguesa, onde Moura divulgava a peça Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, segundo a agência Lusa e o site português RTP. Questionado sobre o que mais o preocupa no cenário nacional, o ator respondeu sem hesitar, pediu mobilização da sociedade civil em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alertou para o risco de interferência norte-americana no pleito.
A declaração de Wagner Moura
Ao ser perguntado sobre suas principais preocupações com o Brasil, Moura foi direto: “Que Bolsonaro ganhe de novo as eleições. Que a família dele, que Flávio Bolsonaro ganhe as eleições. Seria uma tragédia.” A fala, registrada pela agência Lusa e pelo site português RTP, foi destacada pela mídia portuguesa com mais ênfase do que a própria peça que o ator apresenta no país.
O contexto da declaração reforça seu peso: Moura não estava em um palanque político, mas numa coletiva de imprensa voltada à divulgação de um trabalho artístico. A escolha de falar sobre o cenário eleitoral brasileiro, espontaneamente e com essa contundência, transforma a fala em posicionamento público deliberado de uma das figuras mais reconhecidas do cinema nacional.
Corrupção ignorada e apelo à mobilização
Moura foi além do alerta eleitoral e tocou num ponto que incomoda a oposição progressista: a aparente impermeabilidade de Flávio Bolsonaro às denúncias que o cercam. Citando o caso do filme Dark Horse, no qual o senador admitiu ter pedido recursos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar a cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ator resumiu o problema com uma frase: “A prova de que os fatos não importam mesmo hoje em dia é que ele, mês após mês, envolve-se em um caso de corrupção, e cai nas pesquisas 2 ou 3 pontos.”
Para Moura, o contraste com o passado é revelador. “Suponho que se isto tivesse acontecido há 20 anos, acabaria com a candidatura de uma pessoa destas”, disse. O diagnóstico aponta para uma transformação no ambiente informacional que protege candidatos da direita radical de consequências eleitorais que, em outro tempo, seriam inevitáveis.
“A gente tem que se mobilizar. Todos nós, a própria sociedade civil brasileira. Mobilizarmo-nos para Lula ganhar as eleições novamente.”
O apelo foi feito após o ator ser questionado sobre o que o povo brasileiro deveria fazer diante desse cenário. Moura declarou apoio explícito ao presidente Lula (PT) e colocou a mobilização popular como condição para barrar o que classifica como um risco concreto ao país.

Lula com Janja, Wagner Moura e Kleber Mendonça (Foto: Ricardo Stuckert)
Trump, interferência e o tiro pela culatra
Moura encerrou suas declarações com um alerta sobre o tabuleiro internacional. O ator afirmou acreditar que os Estados Unidos “vão entrar com tudo” para tentar influenciar o processo eleitoral brasileiro, tendo como vetor o apoio do presidente Donald Trump a Flávio Bolsonaro.
A preocupação não veio desacompanhada de uma aposta. Moura disse esperar que esse apoio “seja um tiro que saia pela culatra”, baseando sua expectativa num padrão que observa repetir-se: “De cada vez que ele [Trump] interfere na política brasileira o efeito é o contrário.” Ainda assim, o ator reiterou que não subestima a ofensiva: “Eles vão entrar com tudo nas eleições do Brasil.”
O alerta posiciona as eleições de outubro não apenas como uma disputa interna, mas como um campo de tensão geopolítica, em que forças externas com interesse no enfraquecimento da democracia brasileira podem atuar de forma coordenada com a candidatura bolsonarista.