
A Polícia Federal apontou que representantes ligados ao Projeto DV, associado a Daniel Vorcaro, tentaram atrair o vereador bolsonarista Rony Gabriel (PL-RS) para uma campanha contra o Banco Central. O caso apareceu na 10ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como principal alvo o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi.
Rony Gabriel tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, se apresenta como pré-candidato a deputado federal e faz campanha para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais. A abordagem teria ocorrido sob a justificativa de que o grupo contratava perfis digitais para atuar em uma “disputa política de repercussão nacional”.
Na decisão que autorizou a ação da PF, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou que o vereador prestou depoimento aos investigadores. O relato consta no Termo de Depoimento por Audiovisual nº 972020/2026, citado no documento de 24 páginas.
“ANDRÉ informou que estavam contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”, escreveu Mendonça ao descrever a abordagem feita por André Salvador, apontado como representante da empresa UNLTD, ao assessor de Rony Gabriel.
Contrato previa sigilo e multa de R$ 800 mil

O ministro afirmou que, para avançar nas tratativas, Rony Gabriel teria de assinar um acordo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil em caso de quebra contratual. Só depois da assinatura, o grupo teria revelado que o vereador deveria gravar vídeos sustentando que o Banco Master seria “vítima” do Banco Central e que sua liquidação seria indevida.
A PF afirma que o Projeto DV buscava contratar influenciadores para defender interesses de Daniel Vorcaro em meio a disputas com o Banco Central, instituições financeiras como o Itaú e jornalistas que publicavam denúncias envolvendo o Banco Master. O grupo de influenciadores aparece na investigação como um “Time” voltado à disseminação de conteúdo favorável ao banco.
Rony Gabriel divulgou um vídeo nas redes sociais confirmando que prestou depoimento. Ele disse que os investigadores o ouviram a partir “da denúncia que eu fiz em janeiro desse ano” e afirmou ter sofrido ataques e ameaças depois de recusar a proposta ligada ao Projeto DV.
“Eles estavam atacando a reputação, eles estavam ameaçando e eles estavam perseguindo não somente jornalistas como a Malu Gaspar, que tá divulgando isso, ou outros que foram ameaçados, mas também aqueles que se recusavam a receber as vantagens financeiras que eles ofereciam”, disse o vereador no vídeo.
Rony também afirmou que as ameaças cessaram depois da prisão de Daniel Vorcaro e de um associado em 1º de março de 2024. A decisão de André Mendonça relata que o vereador recusou a oferta após descobrir que o trabalho envolvia ataques ao Banco Central, e não apenas a participação em uma disputa política nacional.