O discurso de defesa da família e da moralidade, pilar da extrema direita brasileira, chocou-se com a realidade documentada nas ruas de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As imagens do dia 16 de julho exibem o momento exato em que a pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Liberal (PL), Renata Vieira, parte para o ataque físico contra um trabalhador de frete. O episódio forçou a equipe da política a abandonar a tese inicial de perseguição ideológica e expôs as contradições do bolsonarismo em Minas Gerais.
O registro que viralizou nas redes sociais documenta uma violência unilateral. A pastora discute com o homem ao lado do veículo de transporte e, na sequência, aproxima-se para desferir tapas no rosto da vítima. A gravação também capta o instante em que a política recolhe uma pedra do chão e a arremessa contra o prestador de serviço. Em um terceiro momento de fúria, Renata segura o trabalhador pela camisa e tenta derrubá-lo. O homem apenas recua e pede repetidamente para ser solto, sem oferecer qualquer reação física.
A primeira estratégia de contenção de danos adotada pela assessoria foi a vitimização. Uma nota oficial alegou que o trabalhador teria mudado de atitude e proferido ofensas logo após descobrir a filiação partidária da cliente. A narrativa visava criar uma cortina de fumaça e mobilizar a base conservadora contra um suposto ataque de militância.
A apuração factual sobre a origem da confusão demonstrou um cenário totalmente alheio à política. O conflito ocorreu por um problema logístico. O homem estava sozinho para descarregar um sofá de grande porte e avisou que precisaria retornar à loja para buscar ajuda de um colega. A recusa da pré-candidata em aguardar o auxílio desencadeou a discussão registrada em via pública.
Pressionada pelas evidências inquestionáveis de que a pastora bolsonarista agride entregador de forma contínua no vídeo, a pré-candidata mudou sua versão. Em um pronunciamento publicado no dia 18 de julho, ela admitiu a culpa pelas agressões filmadas, mas passou a acusar a vítima de ter desferido um chute dentro da residência, local fora do alcance das câmeras.