A reconciliação pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro coube a uma única frase. Em um vídeo de 4 minutos e 25 segundos exibido na convenção que oficializou a candidatura presidencial do senador, a ex-primeira-dama pronunciou o nome do enteado somente uma vez. O restante da gravação foi dedicado a Jair Bolsonaro, às mulheres do partido e à própria trajetória política de Michelle.
Ela abriu a mensagem recordando a convenção presidencial de 2022 e tratou a ausência do marido como o centro do evento. Disse que Jair carrega a confiança de mais de 58 milhões de eleitores, chamou-o de “meu galego” e explicou que também não havia viajado a São Paulo porque estava em casa cuidando dele. Em seguida, definiu o ex-presidente como o “grande líder” do grupo.
Flávio apareceu apenas no meio do discurso, em uma breve bênção. “Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força”, afirmou Michelle. Encerrado o recado, ela voltou imediatamente a falar sobre seu trabalho com o eleitorado feminino, as dirigentes estaduais do PL Mulher e o projeto Alicça Brasil.
A ex-primeira-dama ressaltou que as mulheres representam 53% do eleitorado e convocou suas apoiadoras a ocuparem espaços de “decisão, liderança e poder”. Também agradeceu a Valdemar Costa Neto pelo apoio recebido durante sua passagem pelo comando do PL Mulher e afirmou ter transformado o grupo no maior movimento feminino partidário do país.
A construção do vídeo deixou clara a hierarquia imaginada por Michelle para o bolsonarismo: Jair permanece como o líder, ela se apresenta como responsável por mobilizar mulheres, evangélicos e candidaturas estaduais, e Flávio recebe uma bênção protocolar para disputar a Presidência. A gravação pareceu menos uma adesão entusiasmada ao senador do que uma demonstração de que o capital político da ex-primeira-dama não será simplesmente incorporado à campanha.