Obcecado pelo presidente, senador de extrema direita sequer explicou seu “discurso” de 5 minutos no USTR, no qual se colocou de forma submissa à Casa Branca, e passou a lançar ataques ao petista
- Senador Flávio Bolsonaro saiu de audiência nos Estados Unidos, em Washington, insultando o presidente Luiz Inácio Lula e o governo do PT.
- O episódio ocorreu um dia após seu irmão, deputado Eduardo Bolsonaro, chamar Lula de “cachaceiro” em público.
- A atitude surge enquanto pesquisas da AtlasIntel apontam rejeição de 53 % ao senador, indicando queda em sua intenção de voto.
- Flávio, que não apresentou argumentos sobre taxação americana, usou o celular para atacar o PT, rotulando-o de “Partido das Taxas”.
A obsessão da família Bolsonaro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou mais um capítulo marcado pela falta de modos e pela total ausência de decoro em solo norte-americano. Após protagonizar uma cena descrita como patética de cinco minutos dentro do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), onde implorou para que Donald Trump não aplique tarifas aos produtos brasileiros para não liquidar suas chances eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o prédio e gravou um vídeo para suas redes sociais. Em vez de explicar o teor supostamente “técnico” de sua passagem pelo órgão, que fontes internas confirmaram ter sido nulo, o parlamentar desandou a disparar insultos chulos, revelando um descontrole que já virou marca registrada de sua campanha.
O comportamento de Flávio nas calçadas de Washington repete o roteiro de grosserias adotado pelo clã. Apenas 24 horas antes, seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, já havia subido o tom ao xingar publicamente o mandatário brasileiro, chamando-o de “cachaceiro”. Agora, na saída de um ato que o próprio senador tentou vender ao eleitorado como uma agenda solene, oficial e de alta relevância internacional, a agressividade infantil e o deboche substituíram qualquer tentativa de postura séria.
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Visivelmente transtornado pelo congelamento de seus números nas pesquisas de intenção de voto, com a AtlasIntel já apontando uma rejeição alarmante de 53%, empurrando-o para a chamada “linha da morte eleitoral”, o filho 01 do ex-presidente usou o celular para inflamar sua militância digital com ataques rasteiros, ignorando a liturgia do cargo de senador da República.
Sabugice escrita na mão
Sem conseguir sustentar um argumento econômico sobre a taxação americana, o pré-candidato do PL preferiu apostar em encenações de gosto duvidoso. Em uma demonstração de pura sabugice e provincianismo, Flávio mirou no Partido dos Trabalhadores com um trocadilho infanto-juvenil, acusando a legenda de ser o “Partido das Taxas”. Para tentar dar um ar internacional à provocação, o senador exibiu a expressão traduzida para o inglês,“Tax Party”, escrita de próprio punho, na mão, para mostrar à câmera.
Na gravação, Flávio ignora deliberadamente o fato de que a sua própria bancada e aliados políticos validaram seus pedidos de restrição comercial ao Brasil, e tenta inverter a realidade ao acusar o governo federal de omissão no painel norte-americano.
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“Acabei de fazer aqui a defesa do Brasil contra as tarifas e contra o Lula também…”, disparou o senador logo na abertura do vídeo, deixando claro que sua prioridade em Washington nunca foi a balança comercial brasileira, mas sim a fixação cega no atual presidente. “Gente, é impressionante como tinha todo mundo lá, os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém, nenhumzinho, do governo Lula escalado pra fazer a defesa nessa espécie de tribunal”, mentiu o parlamentar, omitindo os ritos diplomáticos formais que regem as relações entre os dois países.
Acusações chulas e “delírio presidencial”
O ápice da falta de educação e do desespero que tomou conta do comitê bolsonarista ficou evidente no encerramento da gravação, quando Flávio recorreu a jargões difamatórios da extrema direita. Em um tom de palanque que desrespeita a soberania nacional perante as autoridades estrangeiras que circulavam pelo local, ele disparou: “Sigo defendendo os brasileiros, enquanto o Lula segue defendendo os bandidos brasileiros”.
A estratégia de “atirar para todos os lados” com ofensas de baixo calão, que já incluiu dancinhas coreografadas no TikTok para tentar suavizar sua imagem, é vista por analistas políticos como um atestado de paralisia. Interlocutores da cúpula do próprio PL admitem, sob reserva, que o eleitorado moderado enxerga essas reações viscerais como um sinal claro de despreparo psicológico para o cargo que pleiteia.
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O senador, que em seu discurso de cinco minutos dentro do USTR cometeu a submissão de pedir sanções norte-americanas contra magistrados do próprio país e sugeriu que os EUA guiassem suas tarifas para interferir no resultado das urnas brasileiras em outubro, terminou o vídeo em um visível surto de autoengano: “Tô aqui, fazendo a minha parte, mesmo sem ser o presidente da República do Brasil ainda”, declarou. No entanto, para os observadores que acompanharam o espetáculo deprimente na capital norte-americana, Flávio Bolsonaro deixou o USTR menor do que entrou: sem os votos que precisa, sem o respeito da diplomacia internacional e perfeitamente blindado pelo teto de vidro de sua própria e intransponível rejeição.
Veja o vídeo com os ataques a Lula:
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