O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas brasileiras durante uma reunião com diplomatas nesta terça-feira (21), em Brasília. O senador afirmou que equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem dos sistemas da empresa Smartmatic utilizados na Venezuela e pediu o envio do maior número possível de observadores estrangeiros para as eleições de outubro. Com informações do Estadão.
Flávio citou documentos da CIA divulgados recentemente pelo governo de Donald Trump sobre supostos planos de manipulação de eleições na Venezuela. Ao tentar relacionar o caso ao Brasil, afirmou: “Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras […] têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.
Segundo esclarecimento oficial do Tribunal Superior Eleitoral, o projeto das urnas e do sistema de votação foi concebido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral. A Smartmatic participou apenas do treinamento de profissionais de suporte e de contratos de conexão de dados e voz. A empresa chegou a disputar a licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para a Positivo.
O relatório da CIA mencionado pelo senador também não estabelece qualquer relação entre a tecnologia venezuelana e as urnas brasileiras. O documento reúne informes produzidos entre 2004 e 2020 sobre o interesse do governo da Venezuela e sua possível capacidade de manipular sistemas eletrônicos dentro do país.
No caso da eleição presidencial venezuelana de 2012, usado como principal exemplo, a avaliação oficial da CIA foi de que não houve fraude eletrônica em larga escala. O relatório também afirma que Venezuela e Smartmatic não teriam o mesmo controle sobre todas as etapas de uma eleição realizada em outro país.