Escolhido por Flávio Bolsonaro como vice, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) entra na chapa com um histórico de episódios controversos, acusações pendentes e atuação política seletiva. O deputado relatou a proposta que suspendeu a ação penal contra Alexandre Ramagem, votou por medidas de anistia e redução de penas a aliados de Bolsonaro e é alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de estupro de vulnerável, acusação que nega. O caso está sob investigação e não há, até o momento, conclusão pública sobre a suspeita.
Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, ex-secretário de Segurança e deputado federal pelo PL, Gaspar foi anunciado por Flávio como um nome de perfil duro na segurança pública. A biografia política, porém, é mais incômoda do que a embalagem de campanha sugere.
No Congresso, Gaspar teve papel central em uma das principais manobras de blindagem a aliados de Jair Bolsonaro. Em 2025, ele foi relator do pedido do PL para suspender a ação penal contra Alexandre Ramagem no processo sobre a tentativa de golpe. O parecer aprovado pela Câmara não se limitava claramente ao deputado bolsonarista e foi interpretado por críticos como uma brecha para beneficiar outros réus, incluindo Bolsonaro.
A suspensão de ação penal contra parlamentar é uma prerrogativa prevista na Constituição, mas o caso de Ramagem tinha uma peculiaridade: o Supremo Tribunal Federal havia informado à Câmara que eventual suspensão só poderia atingir crimes praticados após a diplomação do deputado. Mesmo assim, a Câmara aprovou a medida por 315 votos a 143.
Gaspar sustentou, à época, que defendia uma atribuição constitucional do Parlamento e que a suspensão não representava absolvição. Na prática política, porém, o movimento foi lido como parte da ofensiva bolsonarista para tentar travar o avanço da responsabilização penal dos envolvidos na trama golpista.