A recusa dos principais partidos do Centrão em selar uma aliança formal para as eleições presidenciais acendeu o sinal de alerta no comitê de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) []. Sem o apoio do União Brasil, PP e Republicanos, que optaram pela neutralidade na disputa, a candidatura do clã Bolsonaro vê-se empurrada para uma composição “puro-sangue“, cujo desfecho tem oposto a ala pragmática e a ala ideológica do Partido Liberal.
O isolamento político reergueu as pretensões da ala mais radical do partido. Liderado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o grupo defende que a chapa priorize a lealdade ideológica e o discurso combativo em detrimento de alianças fisiológicas. Para esse núcleo, a vaga de vice deve ser ocupada por uma figura fiel às pautas de costumes e com forte capacidade de mobilização digital.
Neste cenário, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) posicionou-se publicamente como pré-candidata ao posto, afirmando estar “pronta para o combate”. A parlamentar catarinense conta com o apoio aberto de Eduardo Bolsonaro. Além dela, nomes como as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Priscila Costa (PL-CE) são defendidos pela militância para garantir uma presença feminina que dialogue com o eleitorado conservador.
Apesar da pressão das bases, o núcleo político de Flávio Bolsonaro enxerga riscos em uma chapa excessivamente ideológica. Estrategistas da campanha alertam que figuras consideradas “explosivas” pela opinião pública podem afastar o eleitor moderado e os indecisos.
O diagnóstico interno aponta que discursos inflamados e questionamentos institucionais geram alta rejeição. A preferência de Flávio recaía originalmente sobre um perfil técnico e moderado de fora da sigla — como a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques —, tentativa que esbarrou na resistência do centro.