A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro ocorre sob a sombra de uma das mais graves acusações já enfrentadas por um parlamentar bolsonarista. Em março deste ano, os parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal pedindo a investigação do deputado por suposto estupro de vulnerável e fraude processual.
Segundo a denúncia, os fatos envolveriam uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado, além de uma suposta tentativa de compra de silêncio da família. Alfredo Gaspar nega integralmente as acusações, afirma ser alvo de perseguição política e diz possuir exame de DNA que afastaria sua responsabilidade no caso.
Apesar da gravidade das denúncias, Flávio Bolsonaro decidiu transformar Gaspar em seu companheiro de chapa, numa escolha que escancara o isolamento político do PL após o fracasso das negociações com partidos do Centrão para indicar o vice. Sem conseguir atrair nomes de Republicanos ou PP, o senador optou por uma chapa “puro-sangue”, composta apenas por integrantes do próprio partido.
Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Alfredo Gaspar construiu sua imagem pública como integrante da chamada “bancada da bala”. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ganhou notoriedade pelo discurso de endurecimento penal, defesa da ampliação do poder das forças policiais e combate ostensivo ao crime organizado. Em 2022, elegeu-se deputado federal pelo PL, tornando-se um dos principais quadros da legenda no Nordeste.
No Congresso, consolidou-se como um dos parlamentares mais fiéis ao bolsonarismo. Assumiu protagonismo ao relatar a CPMI da fraude no INSS, conduzindo os trabalhos em sintonia com a estratégia política da oposição ao governo Lula. Sua atuação o aproximou ainda mais do núcleo duro do bolsonarismo e o transformou em um dos nomes de confiança da família Bolsonaro.