Um estagiário do marketing do PL não teria dificuldades para selecionar os piores momentos de Flávio Bolsonaro na entrevista a Renata Lo Prete, no Jornal Nacional. Dos 40 minutos, 80% têm os piores momentos, mesmo que, sob o ponto de vista da extrema direita, possam ter sido lacradores e bons para cortes.
O estagiário apresentaria o levantamento aos líderes do bolsonarismo e eles diriam o seguinte: esses não são os piores, mas os melhores momentos. E assim teríamos, dentro do próprio PL, alguns incrédulos achando que a entrevista foi um desastre, e os chefões comemorando o que teria sido um sucesso. Como Tarcísio de Freitas comemorou.
Mas a velha direita, a direita comida pela jiboia do bolsonarismo este ano, mas que continua com a cabeça de fora, essa direita antiga, que abarca todo o centrão, sabe que a entrevista foi desastrosa. Flávio vai divulgar os cortes na propaganda, os tios do zap já estão disseminando suas lacrações, mas no conjunto a conversa foi precária.
O pessoal do não-é-bem-assim vai dizer que uma entrevista nunca é metabolizada pelo eleitor médio, que decide só dar uma espiada, e que ideias, encadeamentos, argumentação e coerência não contam numa hora dessas. É o que mais se repete: uma entrevista não vale quase nada hoje, quando os votos estão quase decididos.
Dito de outra forma, não serão as virtudes, os dribles e as barbeiragens de Flávio e Lula, nesse tipo de programa na TV, que irão provocar alterações substanciais nas preferências eleitorais, e logo agora a uma semana da eleição.