
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, abriu uma nova pressão sobre Michelle Bolsonaro ao dizer que a ex-primeira-dama talvez não dispute uma vaga no Senado, poucos dias depois de ela deixar o comando do PL Mulher em meio à crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na quinta-feira (02), Valdemar afirmou que Michelle lhe disse, em uma reunião realizada no dia anterior, que talvez não fosse candidata. A fala contrariou movimentos de aliadas próximas da ex-primeira-dama, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, que ainda defendem a possibilidade de Michelle disputar uma das duas vagas ao Senado pelo DF.
Fontes próximas à ex-primeira-dama avaliam que a declaração de Valdemar tenta forçá-la a bater o martelo sobre seu futuro eleitoral. Uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal pode colocá-la no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro, com quem Michelle rompeu publicamente após divergências sobre articulações do PL.
Michelle entregou a presidência do PL Mulher durante a reunião com Valdemar. O encontro teve tensão, e a ex-primeira-dama chegou a ameaçar deixar o partido, mas Damares e Celina a convenceram mais tarde a permanecer na legenda.
PL busca alternativas enquanto Michelle adia definição
O PL já começou a sondar nomes alternativos para disputar a vaga no lugar de Michelle e trabalha com um prazo de cerca de um mês para viabilizar uma candidatura competitiva. A ex-presidente do PL Mulher nunca assumiu publicamente que concorrerá nas próximas eleições.
Michelle tem dito a pessoas próximas que aguardava a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a manutenção da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Na sexta-feira (03), Moraes manteve o regime imposto ao ex-presidente, e a ex-primeira-dama ainda conta com o prazo das convenções partidárias para tomar uma decisão.

A crise interna ganhou força na quarta-feira (24), quando Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais antes do jogo entre Brasil e Escócia. Ela criticou a composição do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, defendeu apoio a Eduardo Girão (Novo) e disse que Flávio a “humilhou”, “maltratou” e “desreseitou” por ela questionar a aliança com um adversário histórico do bolsonarismo.
Flávio respondeu primeiro que “nada nem ninguém me aborrece” e depois publicou uma nota em que disse nunca ter desrespeitado mulheres, pediu desculpas à madrasta e solicitou um encontro com Michelle e lideranças femininas conservadoras. O pedido não foi atendido pela ex-primeira-dama nem por aliadas como Damares e Celina.
Na mesma entrevista em que tratou da possível candidatura de Michelle, Valdemar criticou a ex-primeira-dama por repostar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) sobre supostas festas promovidas por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. “Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade”, disse Valdemar à Rádio Gaúcha. Flávio negou ter participado de festas de Vorcaro, afirmou que sua relação com o banqueiro se limitou a pedir R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse” e disse que Michelle estava “completamente desinformada”.