Para sorte nacional, Flávio Bolsonaro não será eleito presidente do Brasil e estaremos livres de surtos anticiência no Palácio do Planalto
Não enxergar – ou repudiar – o papel de organismos internacionais é uma das marcas da extrema-direita liderada por Donald Trump e representada na América do Sul por Javier Milei. Para sorte nacional, Flávio Bolsonaro não será eleito presidente do Brasil e estaremos livres de surtos anticiência no Palácio do Planalto. Ou alguém duvida de que o primogênito de Jair imitaria seus dois tiranetes-modelo e retiraria o país da Organização Mundial da Saúde, uma vez alçado à Presidência?
Chafurdar da lama do negacionismo é inerente a essa gente. Os argumentos formais adotados por Trump para retirar os Estados Unidos da OMS concentraram-se em alegações de má gestão na pandemia de Covid-19, falta de independência política em relação à China e custos financeiros altos demais para os cofres americanos – um amontoado de mentiras cínicas. Até o mundo mineral sabe que a imposição de restrições e quarentenas passam por cima de leis americanas, algumas descabidas, e sair da OMS neutraliza qualquer obrigação jurídica em futuras crises de saúde.
No caso da Argentina, a explicação para a retirada é tão somente a volúpia de bajular Trump, tantas vezes manifestada por Javier Milei.
A mídia brasileira já anda vislumbrando Flávio, uma vez presidente, anunciando a saída do Brasil da Organização Mundial da Saúde. Sua improvável vitória em outubro não apaga o temor do absurdo, mesmo porque o êxodo seria pouco em comparação com a entrega total do país às ordens trumpianas, como o primogênito do capitão já deixou claro que fará se vier a subir a rampa.