A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou novas publicações que reproduzissem as supostas notícias falsas usadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para pedir a derrubada do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Avante-MG). O relatório, juntado aos autos na manhã desta segunda-feira (12), reforça os questionamentos sobre a falta de elementos concretos para justificar a suspensão integral do canal, determinada pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques.
A conclusão consta de um documento de 21 páginas elaborado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, que examinou publicações realizadas entre 2 e 11 de outubro. A equipe não identificou a reprodução das afirmações investigadas, embora tenha constatado a existência de uma estrutura organizada de mobilização política.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, afirma o relatório.
O documento foi juntado ao processo às 9h48 desta segunda-feira, depois que Nunes Marques determinou, à 1h10 da madrugada, o encaminhamento dos autos à assessoria técnica. A consulta que fundamentou a análise havia sido realizada no domingo (11).
O resultado chama atenção porque a suspensão do canal foi determinada antes da apresentação dessa avaliação especializada. A medida, posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, atingiu uma estrutura de comunicação política que reunia aproximadamente 3,3 milhões de seguidores.