A estratégia do PT de levar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a reunião de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com embaixadores estrangeiros deve enfrentar resistência dentro da própria Corte. Segundo apurou a reportagem, integrantes do tribunal avaliam que, embora o episódio seja grave e remeta ao encontro promovido por Jair Bolsonaro em 2022, as diferenças jurídicas entre os dois casos tornam improvável, neste momento, uma punição semelhante à que deixou o ex-presidente inelegível.
A avaliação ocorre enquanto o partido prepara uma representação na Justiça Eleitoral para sustentar que Flávio repetiu justamente a conduta que levou o pai à condenação por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A legenda também estuda ampliar o alcance da ação para incluir outros parlamentares bolsonaristas que divulgaram conteúdos sobre o sistema eleitoral e as eleições na Venezuela, na tentativa de demonstrar uma atuação coordenada.
Nos bastidores do TSE, porém, a percepção é que a comparação entre os dois episódios não pode ser feita de forma automática.
Integrantes da Corte lembram que a inelegibilidade de Jair Bolsonaro não decorreu apenas da reunião com embaixadores realizada em julho de 2022. O julgamento levou em consideração um conjunto de fatores, entre eles o uso da estrutura da Presidência da República para organizar o encontro no Palácio da Alvorada, a transmissão pelos canais oficiais do governo e a utilização do cargo para disseminar ataques ao sistema eleitoral brasileiro.
Na avaliação desses integrantes, Flávio ainda não reúne esse mesmo conjunto de elementos.