Vídeos criados com inteligência artificial que simulam Jair Bolsonaro (PL) em campanha eleitoral se multiplicaram no TikTok e em outras redes, apesar de o ex-presidente estar em prisão domiciliar e proibido de usar plataformas digitais ou fazer manifestações políticas. As peças pedem votos, convocam usuários a compartilhar conteúdos e apresentam mensagens que Bolsonaro não pronunciou.
Em um dos vídeos, o avatar diz, aos prantos: “Gente, está difícil para nós” e pede que seguidores usem os recursos da plataforma para ajudá-lo a “ganhar esta eleição”. Outro mostra uma versão artificial do ex-presidente ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, com um apelo por vitória no primeiro turno.
Também circula uma gravação em que o falso Bolsonaro anuncia ter recebido um “alvará de liberdade para minha candidatura” e solicita engajamento. A afirmação é falsa. Deepfakes manipulam ou fabricam imagens, áudios e vídeos para fazer alguém parecer dizer ou fazer algo que nunca ocorreu.
As montagens não servem apenas para promover Flávio. Há conteúdos em que o avatar ataca a candidatura do próprio filho, afirma que ele “não tem condição de ser presidente” e pede votos para Lula. A variedade de mensagens evidencia como a tecnologia permite produzir conteúdos contraditórios com a mesma imagem pública.
O próprio Flávio Bolsonaro usou uma simulação do pai na convenção do PL que oficializou sua candidatura. No vídeo, com menos de um minuto, o avatar avisa que se trata de uma reprodução feita por inteligência artificial e pede apoio ao “escolhido” de Bolsonaro. “Vem com fé, o Brasil tem futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, diz a peça.