Um vídeo de menos de um minuto pode ajudar a definir até onde as campanhas poderão usar inteligência artificial nas eleições de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para terça-feira (18) uma reunião reservada para discutir a peça que recriou digitalmente imagem e voz de Jair Bolsonaro durante a convenção presidencial do PL.
O encontro havia sido previsto para quinta-feira (13), mas foi adiado depois que a sessão do tribunal se prolongou. A intenção do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, é buscar uma posição dos sete ministros capaz de servir de referência para casos semelhantes durante a campanha.
No centro da discussão está uma pergunta: o vídeo é apenas uma produção feita com IA, recurso permitido sob determinadas condições, ou configura deepfake, prática proibida pelas normas eleitorais?
A peça foi exibida em 25 de julho, durante a convenção que lançou Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Nela, uma versão artificial do ex-presidente informa ao público que sua imagem e voz foram reproduzidas com inteligência artificial e, depois, apresenta o filho como seu escolhido para sucedê-lo.
O PT levou o episódio ao TSE e sustenta que a produção foi usada para favorecer a candidatura de Flávio, além de configurar propaganda antecipada. A defesa do senador nega irregularidade e argumenta que não houve tentativa de enganar o público, já que a própria peça avisava que se tratava de uma simulação.