Em decisão publicada neste domingo (2), a desembargadora federal Vânia Heck de Almeida, do Tribunal Regional Eleitoral gaúcho (TRE-RS), ordenou a remoção de trechos de uma transmissão de Paulo Figueiredo em que o influenciador de extrema-direita diz que a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) “não merece ser estuprada”. Ainda, demandou que o influenciador se abstenha de replicar ou republicar os trechos, mesmo que inseridos em nova publicação.
Paulo Figueiredo tem mais de 800 mil inscritos no seu canal no YouTube. Ele é um forte aliado do clã dos Bolsonaro e muito próximo de Eduardo Bolsonaro, com quem foi denunciado por ter ajudado a promover o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Paulo também é neto do ex-general João Batista Figueiredo, último presidente na Ditadura Militar.
Em uma live no dia 21 de junho, Paulo Figueiredo propõe um “momento gostoso de nostalgia” das eleições presidenciais de 2018, em que destaca, dentre outros conteúdos, vídeos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — hoje preso — desrespeitando mulheres. Ao exaltar essas posturas, ele afirma que Bolsonaro “era o cara que falava o que todo mundo estava pensando”, sendo essa a sua “genialidade”.
Às gargalhadas, Figueiredo assiste o vídeo de 2003 em que Jair Bolsonaro, então deputado federal, ameaça agredir Maria do Rosário e diz que só não a estupraria “porque ela não merece”. A fala foi objeto de condenação por danos morais pelo Superior Tribunal de Justiça. Minutos depois, Figueiredo chama a deputada de “Maria do Horrorosário” e afirma que “todo mundo” acha que Rosário “não merece ser estuprada”.
Em seguida, o neto do general Figueiredo ofende a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) de forma similar. Figueiredo a associa, em tom de menosprezo, a referências ao estupro e à violência sexual, citando outro vídeo do ex-presidente Bolsonaro que ofende Feghali da mesma forma que ofendeu Rosário.