O governo dos EUA confirmou, na noite da quarta-feira 15, a aplicação de um novo tarifaço contra o Brasil. Acatando uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), o presidente Donald Trump decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Há, porém, uma lista de exceções com quase 2 mil itens, que vão de suco de laranja a peças de aeronaves. A relação preserva insumos importantes para a indústria norte-americana, com pouca oferta doméstica ou difíceis de substituir por fornecedores de outros países.
De acordo com o representante de comércio Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária “para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas”. Uma “investigação” conduzida pelo USTR concluiu que o Banco Central do Brasil oferece tratamento preferencial ao Pix, prejudicando operadoras de cartão de crédito com bandeiras norte-americanas, questiona as tarifas brasileiras impostas à importação de etanol e aponta um suposto fracasso brasileiro no combate ao desmatamento, embora imagens de satélite confirmem uma redução expressiva da área devastada nos últimos anos.
Por meio de nota, o governo Lula classificou a decisão como um “ marco lastimável ” na relação entre os dois países. O Planalto argumenta que os EUA têm superávit comercial na relação bilateral, tendo acumulado um saldo positivo de 424,5 bilhões de dólares em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. O texto classifica como “descabidas” as alegações contra o Pix e considera “absurdas” as acusações sobre o desmatamento. No caso do etanol, negociadores brasileiros chegaram a propor uma redução de tarifa, desde que o governo norte-americano também diminuísse as taxas impostas ao açúcar brasileiro. Não houve acordo.
Além de aplicar a Lei de Reciprocidade, o governo Lula promete socorrer os setores afetados e buscar a diversificação de mercados. O comunicado da Presidência acrescenta que a investigação dos EUA “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”. E acrescenta: “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram, na quarta 15, a Operação Hawala, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos 100 milhões de reais provenientes do tráfico de drogas. De acordo com as investigações, o grupo prestava serviços financeiros para o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os agentes apontaram, ainda, uma “possível conexão” entre um integrante da quadrilha e “a estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda”. Os promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciaram 22 suspeitos. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira acolheu integralmente a denúncia, tornando todos réus. Ao menos dez acusados foram presos durante as diligências.