Flávio Bolsonaro já não enfrenta apenas dificuldades típicas de uma pré-campanha presidencial. Os acontecimentos das últimas semanas abalaram a principal premissa que sustentava sua candidatura: a de que herdaria naturalmente a liderança do bolsonarismo.
A pesquisa Genial/Quaest, a postura dos partidos aliados, o fortalecimento de Michelle Bolsonaro e as tensões no PL convergem para o mesmo diagnóstico. A sucessão deixou de ser uma transmissão de legado para transformar-se em uma disputa política cujo desfecho está longe de favorecer o senador.
Desde 2018, o bolsonarismo organizou-se em torno da figura de Jair Bolsonaro. Sua influência extrapolava o eleitorado. Ela orientava partidos, arbitrava conflitos e definia prioridades estratégicas para um campo político até então fragmentado. Mesmo após deixar a Presidência, Bolsonaro permaneceu como o principal polo de convergência da oposição. A inelegibilidade, contudo, alterou essa dinâmica. Sua influência continua decisiva, mas já não basta, sozinha, para definir quem conduzirá a direita na próxima eleição.
A aposta do PL parecia natural: o filho mais velho do ex-presidente reunia experiência parlamentar, identificação com a base bolsonarista e o aval da principal liderança do campo conservador. Durante algum tempo, essa combinação alimentou a expectativa de que a sucessão ocorreria sem grandes sobressaltos. Os fatos das últimas semanas, porém, mostram que a realidade política se tornou mais complexa. O sobrenome deixou de garantir liderança.
A recente pesquisa Genial/Quaest produziu um efeito que vai além dos números. Ao ampliar a vantagem de Lula, reforçou entre partidos e lideranças a avaliação de que a candidatura de Flávio Bolsonaro perdeu força. Em política, a viabilidade costuma ser tão importante quanto a intenção de voto. Quando ela se enfraquece, alianças deixam de avançar, negociações perdem velocidade e potenciais aliados preferem adiar decisões. Foi esse ambiente de espera que passou a cercar a pré-candidatura do senador.