- Paulo Figueiredo, conselheiro de Flávio Bolsonaro, tem débitos milionários inscritos na Dívida Ativa da União, sem possibilidade de contestação administrativa.
- Ele nega as irregularidades, alegando autuação indevida na Operação Armadeira 2 (Lava Jato, 2020) e afirma não ser residente fiscal no Brasil, pois mora nos Estados Unidos.
- Figueiredo responde a ação penal no STF, denunciado pela PGR por suposta participação em tentativa de golpe e por incitar ataques a generais via rádio e TV.
- Comentários sexistas do blogueiro, como “mulher vota mal para caralho”, repercutiram negativamente na pré‑campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ).
O blogueiro Paulo Figueiredo, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação na trama golpista, também acumula pendências fiscais com a União. Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) consultados pela Coluna do Estadão, ele possui débitos inscritos na Dívida Ativa, etapa em que não cabem mais contestações administrativas sobre a cobrança.
Procurado, Figueiredo negou irregularidades e afirmou que foi autuado indevidamente durante a Operação Armadeira 2, deflagrada pela Lava Jato em 2020 para investigar um esquema de blindagem de empresas contra fiscalizações da Receita Federal. O blogueiro também argumentou que não é mais residente fiscal no Brasil por viver nos Estados Unidos.
Golpista
Além das pendências tributárias, Figueiredo responde a uma ação penal no STF por suposta participação na tentativa de golpe de Estado. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ele é acusado de utilizar sua influência junto ao meio militar, por meio de programas de rádio e televisão, para ampliar ataques a generais e incentivar a adesão ao movimento investigado. Como mora nos Estados Unidos, ainda não foi intimado pela Corte e não apresentou defesa no processo.
“Mulher vota mal”
O nome de Figueiredo também voltou ao centro do debate político após declarações de que “mulher vota mal para caralho”, o que gerou desgaste para a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Cerca de uma semana após a repercussão da fala, Flávio afirmou, durante um encontro com mulheres conservadoras, que repudiava as declarações do blogueiro. Nas redes sociais, porém, publicou um vídeo sobre o episódio em tom mais moderado, sem mencionar diretamente indignação com o ataque ao eleitorado feminino.
Figueiredo reagiu às críticas e reafirmou sua posição. Segundo ele, Flávio Bolsonaro estaria “errado do ponto de vista material” e ocuparia uma posição menos conservadora. “Flávio tem a posição dele, eu tenho a minha. Eu estou muito mais à direita do que o Flávio”, declarou.
O blogueiro também criticou a reação do senador, afirmando que ele teria adotado uma postura de “vitimismo” ao dizer que se sentiu ofendido pelas declarações. “Flávio dizer que se sentiu ofendido já é vitimismo. Odeio gente que se vitimiza”, afirmou.