Almirante Flávio Rocha foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo do amigo Jair, onde atuou em políticas de mineração e energia; por R$ 50 mil ao mês, entrou em abril no conselho da Atlas Lithium, que prospecta lítio em Minas e urânio – de forma disfarçada – em seis estados
O almirante Flávio Rocha integra o Conselho de Administração da Atlas Lithium, multinacional com sede em Boca Raton, Flórida, voltada para a exploração do subsolo brasileiro. Em comunicado aos investidores, no dia 6 de abril, a empresa o anunciou como conselheiro independente, com salário de R$ 50 mil. E destacou sua experiência em processos regulatórios junto ao governo de Jair Bolsonaro.
De Olho nos Ruralistas constatou que a empresa afirmou a investidores dos Estados Unidos, em agosto, possuir 39 direitos minerários associados a urânio em uma área de 143,7 mil hectares, distribuídos em seis estados. Só que a Agência Nacional de Mineração (ANM) não reconhece direitos para prospectar urânio. Para as autoridades brasileiras, os direitos minerários “identificam cobre, grafite, fosfato e/ou terras raras como minerais de pesquisa”.
Em aliança com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, o próprio Donald Trump prometeu ajuda financeira a um dos projetos da Atlas Lithium no Brasil, o Neves, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Um dos principais conselheiros da empresa, Roger Noriega, foi um dos ideólogos das incursões mais recentes dos EUA na América Latina, sob o espantalho do “narcoterrorismo”. E um dos responsáveis por indicar a Trump parceria com Bolsonaro.
Flávio Augusto Viana Rocha, Almirante de Esquadra da Marinha, assumiu em março de 2021 a secretaria de Assuntos Estratégicos, onde teve atuação transversal em diversas iniciativas do governo de Jair Bolsonaro. Rochinha intermediou viagens internacionais e contatos com líderes estrangeiros, como Vladimir Putin, e capitaneou projetos como o Plano Nacional de Fertilizantes.