Um site que vende criptomoedas está distribuindo tokens – ativos digitais que podem ser trocados por dinheiro – para usuários que participarem de uma campanha que promete ajudar as crianças na Uganda e compartilharem nas redes sociais mensagens favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à Presidência e disputará o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro.
Chamada de “Brasil 22 Token (B22)”, a iniciativa passou a ser promovida pelo perfil do Instagram @hyperskidsafrica nesta semana e informa que se trata de “um movimento que une apoio ao voto 22 e a proposta de ajuda às Hyperkids a concluir sua casa em Kampala”. Hyperkids é um grupo formado por menores ugandeses que fazem danças para engajar nas redes sociais e o perfil, que acumula quase 13 milhões de seguidores, faz a divulgação do esquema das criptomoedas.
No vídeo, que atualmente se encontra indisponível mas foi compartilhado por perfis que apoiam a extrema direita, as crianças afirmam que há “um novo token e o objetivo dele é ajudar o Brasil”. Os menores chegam a citar os nomes de figuras de extrema direita, que incluem, além de Flávio Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e o empresário Pablo Marçal. De acordo com o Artigo 57-C da Lei das Eleições de 30 de setembro de 1997, é proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos e seus representantes.
Nesta quinta-feira (08/10), a Coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Lula apresentou uma denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral, solicitando a identificação dos responsáveis e a investigação de possíveis crimes eleitorais, incluindo o uso de estrutura comercial para propaganda ou aliciamento de eleitores, previsto no Código Eleitoral. A equipe jurídica da campanha presidencial também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ingressando com uma ação de investigação judicial eleitoral por suspeita de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Por sua vez, a campanha de Flávio alegou que desconhece a autoria do site da criptomoeda e que vai tomar todas as medidas judiciais contra a publicação. O candidato também negou a contratação de perfis para divulgação de conteúdo ou produtos de campanha.