Como esperado, o governo Donald Trump deu uma porrada em empresas e empregos brasileiros ao confirmar o tarifaço de 25% sobre uma parcela de nossas exportações para lá. O motivo principal não é comercial, mas geopolítico. Os EUA querem dobrar o Brasil, obrigando-nos a jogar o Pix no lixo, dar salvo-conduto às Big Techs e eleger Flávio Bolsonaro — que já mostrou que abraçaria o “America First”. Brasil? Maybe Later.
Nesse sentido, pouco adiantaram as tentativas de negociação realizadas por diplomatas, técnicos, políticos e empresários brasileiros e norte-americanos. Diante de argumentos, não há fatos que resistam. A Casa Branca reclamou do desmatamento brasileiro usando dados antigos, ignorando que a taxa de perda florestal é a menor em muitos anos. Tampouco adiantou mostrar que empresas norte-americanas de cartão de crédito estão ganhando mais após o Pix ter sido implementado.
É uma encenação bastante chulé afirmar que o Brasil causa prejuízos ao comércio norte-americano, uma vez que somos deficitários na balança comercial com os Estados Unidos há mais de 15 anos. Ou seja, pagamos muito mais bilhões do que ganhamos.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, liderada por Paulo Skaf, que faz oposição sistemática ao governo federal, nem corou ao reclamar que o Brasil está “desalinhamento político com Washington”. Uma forma bonita de falar de defender subordinação. A crítica, pelo menos, é mais elegante do que a declaração da diretora-executiva da Fiesp que atacou o fim da escala 6×1 em audiência no Senado porque, segundo ela, a mudança vai impedir que as brasileiras tenham um salão de beleza disponível aos sábados.
É bastante reveladora a postagem no X feita pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio após o tarifaço ter sido divulgado. “No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, disse. Ou seja, o governo brasileiro se negou a ficar de joelhos.