Há dois movimentos distintos na pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje, que mostra Flávio Bolsonaro oscilando dois pontos para cima e Lula, um para baixo no primeiro turno — a margem de erro é de dois pontos. O antipetismo tampa o nariz para os escândalos do senador e falta bambu para flechas eleitorais do presidente, como a aprovação do fim da escala 6×1.
A direita bolsonarista e a não bolsonarista estão absorvendo e absolvendo os escândalos relacionados ao filho do ex-presidente (R$ 61 milhões recebidos de Daniel Vorcaro, a acusação de “Tariflávio” e as denúncias de Michelle) e, com isso, ele recupera território.
Mesmo que não seja o melhor candidato para muitos, é aquele que, hoje, tem mais chance contra Lula. Então, na linha do “não tem outro, vai ele mesmo”, o senador acaba personificando o voto antipetista. Os outros (Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema) não conseguem crescer devido aos eleitores cativos do clã.
Do outro lado, o pacotão de bondades eleitorais de Lula foi celebrado por parte da população nas pesquisas anteriores, mas também foi absorvido e deixou de ser novidade. O total de beneficiados pelo programa que sentiram alguma diferença com a chegada do Desenrola 2 passou de 66%, em julho, para 61%, em agosto.
Da mesma forma, passou de 59% para 53% o total dos beneficiários da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil que sentiram a renda aumentar, enquanto subiu de 39% para 46% o total dos que dizem não ter sentido a diferença. Lula mantém a aprovação em 48% e a desaprovação em 47%, mas, considerando o período eleitoral, isso é insuficiente para ganhar terreno.