Caso eleito, Flávio Bolsonaro vai buscar incessantemente o impeachment de Alexandre de Moraes até setembro de 2027 — prazo em que o ministro deve assumir a Presidência do Supremo Tribunal Federal. E a questão não é corrupção ou apenas vingança, mas a busca por obter poder absoluto na República e implementar a primeira dinastia no país desde os Orleans e Bragança.
Não, não será pelas relações promíscuas com o Banco Master. Afinal, se a esposa do ministro tinha um contrato de R$ 130 milhões com a empresa de Daniel Vorcaro, o senador implorou R$ 130 milhões ao mesmo Vorcaro, sob juras de fraternidade e lealdade eterna. Alexandre de Moraes precisa ser investigado e eventualmente punido, tanto quanto Nunes Marques, Dias Toffoli, André Mendonça e Luiz Fux, por conta de dinheiro que eles, parentes ou suas instituições receberam do bandido-Master. E o próprio Flávio também. Ele já é investigado pela Polícia Federal, mas deixará de ser caso eleito.
Tampouco será apenas por vingança por Moraes ter cumprido um papel importante de relator do processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por sua tentativa de golpe de Estado e de perpetuação no poder e na condenação de Eduardo Bolsonaro, hoje ex-deputado federal, por coação no curso do processo de julgamento do seu pai através de uma conspiração com o governo dos Estados Unidos.
Ao obter o impeachment de Moraes, Flávio Bolsonaro evitará que o ministro seja presidente da Corte entre setembro de 2027 e setembro de 2029, como está previsto, em outras palavras, que crie problemas durante boa parte do seu possível mandato. Não só isso: vai colocar na Presidência um aliado, Kassio Nunes Marques, indicado por ele ao pai para compor o STF.
Graças ao fim do vazamento seletivo do celular de Vorcaro, descobriu-se que a “Turma do KN” fechou um contrato de R$ 427 milhões com o banqueiro e está por trás de decisões que garantiram ao homem das festas bunga-bunga bilhões em precatórios. O ministro também aparece como beneficiário de garotas de programa e casas de luxo pagas. Mas, mais uma vez, parte da indignação vigente não é por causa da corrupção, mas do CPF envolvido.