A invasão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus de Arapiraca, retratada por Carlos Madeiro, no UOL, é um alerta. Homens desembarcaram de caminhonetes estampadas com imagens de Flávio Bolsonaro dispostos a arrancar, na marra, cartazes eleitorais que os desagradavam afixados por alunos. A universidade solicitou que forças de segurança de Alagoas e federais investiguem o caso e garantam reforço para prevenir violência e intimidação.
A universidade precisa ser um espaço que comporte todos os pontos de vista, garantindo que o debate de ideias flua sem qualquer tipo de violência. Contudo, a questão central aqui vai muito além de uma simples intolerância panfletária: é a tentativa de que esses grupos querem atropelar a Reitoria da universidade e a Justiça, que seriam os foros corretos para uma reclamação formal.
O que eles tentaram fazer tem um nome claro: justiçamento. Ou seja, a partir de uma avaliação estritamente pessoal sobre o que é certo e o que é errado, decidem atropelar as instituições e agir com as próprias mãos. Essa é, estrutural e historicamente, a base de formação das milícias.
A possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro, figura identificada como referência na extrema direita e defendida com unhas e dentes por esses extremistas, já atiça os delírios de grupos com comportamentos milicianos. Não que eles não estiveram aí desde sempre, mas com ventos a ser favor, a coisa escala.
Não à toa, neste exato momento, indígenas que vivem em áreas de intensa disputa territorial recebem recados sombrios de que, a partir do ano que vem, em caso de vitória de Flávio, milícias de grileiros, garimpeiros, madeireiros e produtores rurais vão agir de forma livre e desimpedida contra eles. Da mesma forma, milícias do desmatamento já colocam suas asinhas de fora, crentes na impunidade iminente.