Lula e Flávio Bolsonaro receberam, hoje, duas ajudas para suas campanhas neste segundo turno. De um lado, a pulsação do asfalto empurrada por uma juventude que decidiu agir para defender o pacto civilizatório contra o retrocesso. Do outro, gabinetes em Brasília que operam com uma assimetria constrangedora, nos quais decisões judiciais impõem freios a uma candidatura enquanto blindam a outra, usando censura descarada.
Na avenida Paulista, o centro gravitacional da campanha Lula mudou de mãos. O protagonismo não pertenceu à burocracia partidária ou aos figurões de sempre, mas sim a coletivos organizados, entidades estudantis e jovens sem filiação que construíram uma convocação robusta e capilarizada nas redes sociais. Embora não tenha havido uma contagem oficial realizada por institutos de pesquisa, os registros aéreos e em vídeo deixam evidente que este foi o maior ato eleitoral realizado na capital paulista em 2026.
A ovação pela multidão das deputadas federais como Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Luna Zarattini (PT), com força junto ao público mais jovem, não é mero detalhe de palanque. Essa energia explica, em grande medida, por que a campanha lulista conseguiu reencontrar fôlego e renascer no segundo turno.
O medo do retorno ao poder de um grupo político de caráter abertamente autoritário (o mesmo que articulou e tentou executar um golpe de Estado mal-sucedido) foi um dos motores que empurraram jovens, militantes de esquerda e outros grupos preocupado com a democracia para a avenida. Muitos entenderam o tamanho do risco e decidiram compensar os tropeços da campanha e os erros cometidos pelo próprio Lula. Em bom português: os jovens cansaram de esperar e tomaram as rédeas de acontecimentos nas ruas e nas redes.
E enquanto a campanha do petista encontrava oxigênio popular na maior cidade do país, a de Flávio Bolsonaro encontrava socorro nas salas do Tribunal Superior Eleitoral.