Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, disse que está faltando um “gesto” de Flávio Bolsonaro para pacificar a briga com Michelle, garantindo que ela atue em sua campanha presidencial. Disse que talvez ele faça isso no dia 25, durante a convenção que confirmará sua candidatura.
“Se Deus quiser, ele vai fazer esse gesto para acabar com essa encrenca, para acabar com esse desentendimento”, disse em entrevista ao UOL News. Essa história de “gestos” passa a impressão de que a ex-primeira-dama é uma pessoa orgulhosa movida por afagos ao ego. Mas ela não está em busca de um biscoito ou de um cafuné do enteado, e sim de uma mudança de comportamento.
O movimento que ela e o grupo político do qual faz parte esperam é que o senador ceda, garantindo que a posição deles seja considerada e que participem, de fato, da articulação eleitoral. Ou seja, querem que Flávio, seus irmãos e aliados mais próximos dividam o poder.
Nesse sentido, um aceno forte seria o atendimento de sua demanda, com o apoio de Flávio à vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) na disputa pelo Senado. Isso compraria uma briga com o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes, que também quer a vaga, mas ajudaria a resolver o impasse na avaliação de aliados de Michelle. Afinal, foi após as críticas que ela fez à situação da campanha no Ceará que ela foi maltratada e humilhada pelo primogênito de Jair.
Há uma questão de fundo sobre a divisão de poder. Michelle teria maior potencial para vencer uma eleição presidencial porque tem menos BOs que o enteado. Mas o machismo bolsonarista não permitiria isso. Nesse sentido, garantir mais espaço para a ex-diretora do PL Mulher seria criar corvos que poderiam arrancar seus olhos depois.