Reportagem de Fernando Canzian, na Folha, revela que a equipe de Flávio estuda um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões. Entre as ideias estão desvincular aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos em situação de miséria, dos ganhos reais do mínimo e alterar os pisos de saúde e educação.
A campanha diz que as ideias não são oficiais. Então, bastaria ao candidato prometer não adotá-las.
O silêncio convém, pois a Faria Lima alimenta expectativas de cortes sociais, enquanto Flávio evita dizer aos mais pobres o tamanho da conta que pagarão. Ao mercado, acenos de austeridade, a quem sobrevive com um mínimo, respostas vagas e sugestão de olhar um programa de governo mais vago ainda.
Até porque anunciar que pretende economizar bilhões impedindo aposentados de acompanhar a valorização do piso e freando o aumento real do próprio piso não seria exatamente a melhor propaganda para quem conta moedas no supermercado.
Cerca de 70% dos mais de 41 milhões de benefícios do INSS equivalem ao mínimo. Projeções citadas pela Folha indicam que limitá-los à inflação economizaria R$ 1,1 trilhão em dez anos. Economia para o governo, mas para o beneficiário, menos dinheiro do que receberia pelas regras atuais.