Um porteiro e uma panela passaram a madrugada de hoje na Central de Flagrantes de Maceió, presos pela Polícia Militar. Ele estava de serviço em um prédio da Ponta Verde e cometeu o grave delito de batucar nela durante o panelaço contra Flávio Bolsonaro, enquanto o candidato dava entrevista ao Jornal Nacional.
Recapitulando o que relatou o colunista Carlos Madeiro, aqui no UOL. Moradores protestavam por volta das 21h30, com bandeira de Lula e panelas. Um motorista passou, baixou o vidro, fez gestos obscenos, xingou todo mundo e ameaçou quem defendia o presidente, segundo um morador, que filmou a cena. Depois, desceu do carro, disse que queria resolver aquilo na porrada e ainda tentou escalar o muro do prédio. Como ninguém deu bola, chamou a polícia.
A PM chegou diante de uma denúncia de barulho e quis algemar o porteiro, que participava do protesto a convite dos moradores. A justificativa? Desacato. Segundo os moradores, ele teria demorado para abrir o portão aos policiais. O delegado de plantão registrou o caso como perturbação do sossego… às 21h30.
Em nota, o governo de Alagoas afirma que “a Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou procedimento de apuração para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, verificar a veracidade dos fatos relatados e avaliar a conduta dos agentes envolvidos, inclusive quanto à adequação dos procedimentos adotados”.
Primeiro, não é detalhe que isso tenha acontecido em Alagoas. O vice de Flávio, Alfredo Gaspar, foi secretário de Segurança Pública do estado, e Flávio fez questão de exaltar justamente essa trajetória ao anunciá-lo. Gaspar não mandou prender porteiro. O ponto é outro: há um naco da polícia que enxerga na possível volta do bolsonarismo uma licença para transformar vontade própria em lei. É o aviso sobre o impacto da percepção no “guarda da esquina”, no alerta que Pedro Aleixo fez ao general Costa e Silva antes da edição do AI-5.