A moderação (sic) de Flávio Bolsonaro dura até o momento em que uma urna eletrônica entra na conversa. Aí, a fantasia de candidato equilibrado vai ao chão e aparece o bolsonarismo velho de guerra: desinformação, ataque às instituições e preparação antecipada de uma desculpa para uma eventual derrota eleitoral. Ou de uma justificativa para nova tentativa de golpe ou mesmo uma intervenção estrangeira.
Diante de embaixadores de vários países, o senador afirmou hoje que máquinas usadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic, que a CIA aponta como envolvida em fraudes na Venezuela, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Mentira. A empresa nunca vendeu ao Brasil urnas nem programas usados nos equipamentos.
É salutar o convite a observadores internacionais. Mas é bizarro usar uma falsidade para insinuar que o processo eleitoral brasileiro precisa ser vigiado por estrangeiros, como fez o filho de Jair.
O senador lançou a cascata e, na sequência, tentou embrulhá-la em papel democrático. Disse que não estava questionando o sistema eleitoral, apenas defendendo a presença de mais observadores estrangeiros. Ahã, Flávio, senta lá.
O roteiro não é novo, confirmando a máxima do velho barbudo de que os fatos e personagens de importância na História do mundo ocorrem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa.