Renato de Araujo Correa, candidato a deputado federal pelo PL-RJ com o nome de urna “Renato Araújo do Bolsonaro”, tem uma empresa ligada a seu nome no centro da Operação Sarasvati, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Civil do Rio para apurar fraudes e possível direcionamento de contratos para obras em escolas públicas. A Bravo Construções, hoje registrada em nome de Tainá Nóbrega de Souza, mulher do empresário, foi alvo de busca e apreensão em Angra dos Reis.
A ligação de Renato com os Bolsonaro, porém, vai muito além do nome escolhido para a urna. Como mostrou a Fórum nesta sexta-feira (14), ele é o dono do jet ski amarelo emprestado à família Bolsonaro e usado por Flávio Bolsonaro no episódio de janeiro de 2024 em que a Polícia Federal cumpria um mandado de busca e apreensão contra Carlos Bolsonaro na casa da família em Mambucaba, em Angra dos Reis.
Agora, o empresário que emprestava moto aquática ao clã aparece ligado a uma construtora alcançada por uma investigação sobre dinheiro destinado à Educação. A Polícia Civil cumpriu 20 mandados no Rio de Janeiro e em São Paulo e afirma ter encontrado indícios de um sistema de direcionamento de empresas para reformas em unidades escolares.
O “do Bolsonaro” também não é apelido criado pela reportagem. O DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral, registra Renato como candidato a deputado federal pelo PL do Rio com o nome de urna “Renato Araújo do Bolsonaro”. Na declaração patrimonial de 2026, há ainda duas motos aquáticas, avaliadas em R$ 105.633,80 e R$ 40.454,55. O registro não permite afirmar que uma delas seja o mesmo jet ski amarelo envolvido no episódio de 2024.
O jet ski é um dos episódios mais eloquentes da proximidade entre Renato e Flávio Bolsonaro. Em 29 de janeiro de 2024, agentes da PF chegaram à residência de Jair Bolsonaro em Mambucaba para cumprir uma ordem de busca contra Carlos no âmbito da investigação sobre o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.