
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou picos de pressão alta nos últimos dias, segundo relatório médico protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), dias após o vídeo de Michelle expondo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento foi enviado como parte das exigências para a manutenção da prisão domiciliar e aponta que a equipe precisou usar doses extras de medicação para controlar os “picos hipertensivos moderados”.
Os boletins são remetidos semanalmente ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro. O relatório de sexta-feira (26) também informa que os médicos decidiram manter o tratamento contra episódios prolongados de soluço no limite de segurança. Entre os efeitos colaterais dos medicamentos, foram relatados sonolência diurna e desequilíbrio físico.
O cardiologista Brasil Ramos Caiado afirmou ainda que Bolsonaro apresenta sequelas da pneumonia diagnosticada em março. “Ausculta cardíaca normal, ausculta pulmonar com alteração residual na base do pulmão esquerdo”, registrou o médico. O boletim é menos favorável que o da semana anterior, quando havia sido apontada maior disposição física e redução dos soluços.
A situação de saúde ocorre no momento em que Bolsonaro aguarda decisão de Moraes sobre a prorrogação da prisão domiciliar, concedida por motivos médicos. O prazo terminou na quinta-feira (25), e o ministro avalia se manterá o benefício. A Procuradoria-Geral da República defende aguardar o fim das investigações sobre a apreensão de uma arma ligada ao ex-presidente antes de definir posição.
Ao mesmo tempo, Bolsonaro enfrenta uma crise familiar e política aberta pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela avisou o marido de que gravaria o vídeo em que acusou Flávio de lhe aplicar uma “punhalada”. A gravação, divulgada na quarta-feira (24), expôs a divisão entre Michelle e o senador, pré-candidato à Presidência.
Segundo aliados, Michelle afirmou que havia chegado “ao limite” após ataques nas redes sociais feitos por apoiadores dos filhos de Bolsonaro.
Um interlocutor disse que não é possível afirmar que o ex-presidente tenha autorizado o vídeo, mas que ele compreendeu o desabafo. “Ele está na Faixa de Gaza. Deixou ela desabafar”, resumiu. “Ela estava engasgada com o que sofreu e ele não conseguiria impedir que ela falasse”.