A transferência do parque de refino nacional para a iniciativa privada durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) alterou profundamente a estrutura de abastecimento de combustíveis no Brasil. Até o ano de 2020, a Petrobras dominava 99% da produção nacional de derivados de petróleo, porém a redução de investimentos e os processos de privatização reduziram essa participação para 83%. Os dados são do Sindicato Nacional do Petroleiros.
Essa retração da estatal fez com que as refinarias privadas não conseguissem suprir a demanda interna, forçando um crescimento de 15% na importação de derivados para atender ao mercado. Com isso, as populações do Norte e do Nordeste passaram a ser as mais impactadas pela alta nos preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha.
Enquanto a Petrobras manteve os menores preços de refino, as unidades privatizadas praticaram valores alinhados ao Preço de Paridade de Importação (PPI), em alguns casos superiores ao indicador de acordo com boletim do mês de outubro do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra.
No diesel, a diferença é expressiva: a Refinaria da Amazônia (REAM-AM), privatizada em 2022, vendeu o litro a R$ 7,34, mais que o dobro dos R$ 3,31 registrados nas refinarias da Petrobras. No mercado de revenda, o Norte apresentou, em setembro, os maiores preços médios do país tanto para a gasolina (R$ 7,04 por litro) quanto para o diesel S10 (R$ 7,37), enquanto o Acre registrou os maiores valores estaduais para ambos os combustíveis: R$ 7,47 e R$ 8,31, respectivamente. No Nordeste, a Bahia também se destacou pelo preço elevado do diesel S10, com média de R$ 7,73 por litro. Os dados evidenciam as disparidades regionais no mercado de combustíveis, embora os preços nas bombas também sejam influenciados por fatores como custos logísticos, tributação e condições de oferta e demanda.