Citado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate da Band neste domingo (18), o médico Claudio Lottenberg, escolhido pelo senador para comandar o Ministério da Saúde caso vença a eleição, já fez duras críticas à condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro. O oftalmologista cobrou coordenação nacional e exemplos das autoridades no cumprimento das medidas de prevenção à Covid-19.
Mestre e doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Lottenberg preside a Confederação Israelita do Brasil (Conib), apresenta um programa na Jovem Pan News e foi secretário municipal da Saúde de São Paulo em 2005, na gestão de José Serra. Ele está licenciado das funções de governança no Hospital Israelita Albert Einstein desde setembro, após a indicação para um eventual governo do PL.
Em entrevista ao Globo, publicada em março de 2021, Lottenberg responsabilizou o governo federal pela ausência de uma orientação unificada contra o coronavírus. “Se houve um ente que não criou um clima inspiracional, foi o governo federal”, afirmou. Defensor de máscaras, isolamento social e vacinação, também criticou a falta de exemplos públicos das lideranças.
“Precisávamos de modelos, de orientação. E não vimos uma linguagem única, em caráter nacional. Quer dizer, a utilização de máscara e do álcool gel, que deveria ser um mantra, não aconteceu. É culpa de uma ordem de governança que não soube construir, em um ano, um mínimo de entendimento”, declarou naquela entrevista.
A relação com o bolsonarismo, porém, antecede as críticas. Lottenberg foi cogitado para substituir Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde em abril de 2020. Em 2021, participou de um jantar com Bolsonaro, a quem descreveu como “simpático, absolutamente predisposto a entender e escutar minhas opiniões sobre o momento atual”. Na ocasião, também elogiou a escolha de Marcelo Queiroga para a pasta.