Nove dias separaram os comícios de Flávio Bolsonaro, no Parcão, e de Lula, no largo Glênio Peres, e estive presente nos dois. Mais do que dois atos de campanhas absolutamente opostas, encontrei duas formas distintas de transformar identidade política em ocupação da cidade.
No Parcão, a imagem havia surgido quase pronta, nas camisetas, bandeiras, máscaras com o rosto de Jair Bolsonaro, palavras de ordem e num público que parecia saber mais claramente contra quem estava lá do que por quem havia ido até ali.
Flávio era o candidato presente no palco, mas era Jair quem permanecia nos rostos, nos discursos e nos símbolos carregados pelos apoiadores e, como em uma arquibancada, todos sabiam quando aplaudir e contra quem vaiar.
Nove dias se passaram até eu ir ao Glênio Peres.
Encontrei novamente camisetas, bandeiras, celulares erguidos, palavras de ordem e milhares de pessoas que tampouco tinham dúvida sobre de que lado estavam.