O voto em Lula (PT) no primeiro turno teve uma proporção maior de escolha pelo próprio candidato do que o voto em Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados da pesquisa Quaest divulgada no início da noite desta quarta-feira (14). Entre os eleitores do presidente, 73% disseram tê-lo escolhido por considerá-lo o melhor candidato. No eleitorado do senador, essa justificativa corresponde a 53%.
Já o desejo de tirar o PT do poder motivou 42% dos eleitores de Flávio. Entre os que votaram em Lula, 23% apontaram como razão impedir a vitória de Bolsonaro. Os números mostram que o voto contrário ao adversário teve peso maior na escolha pelo candidato do PL.
Ao comentar o levantamento, Noblat ressaltou a diferença entre os dois eleitorados. “O voto em Lula é muito mais positivo”, escreveu. No caso de Flávio, o jornalista observou uma divisão mais próxima entre a preferência pelo senador e o antipetismo.
A análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, também aponta a importância do voto útil de direita no primeiro turno. Segundo ele, 15% dos entrevistados chegaram a cogitar Cury, Caiado, Renan Santos ou Zema antes da votação, mas acabaram escolhendo Flávio.
O momento da decisão reforça a diferença entre as bases eleitorais. Entre os que votaram em Lula, 84% disseram ter definido a escolha antes do início da campanha. No eleitorado de Flávio, 7% decidiram na última semana e 10% no próprio domingo da votação.