O Diretório Nacional do PT aprovou nesta sexta-feira 3 uma resolução que aponta a defesa da soberania nacional como um dos principais eixos da campanha à reeleição do presidente Lula . O documento dedica um de seus principais capítulos à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos durante a crise provocada pelo tarifaço sobre produtos brasileiros e classifica essa articulação como “entreguista”.
O ponto central da resolução é o item 15, no qual o partido afirma que Flávio e Eduardo Bolsonaro agem nos Estados Unidos contra os interesses do Brasil ao buscar medidas que pressionem o País em meio ao embate comercial. O texto afirma que ambos chegaram a defender que as tarifas sobre produtos brasileiros fossem aplicadas somente após a eleição presidencial , em uma tentativa de evitar o desgaste da oposição antes da votação. Para o PT, a estratégia demonstra disposição de sacrificar empregos, empresas, a produção nacional e a soberania brasileira em favor de interesses políticos da família Bolsonaro. A resolução também sustenta que o governo Lula respondeu reafirmando que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras sobre sua democracia e sua economia.
A resolução faz referência a uma série de iniciativas adotadas pelo clã Bolsonaro durante a escalada da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, Eduardo intensificou reuniões com integrantes do governo de Donald Trump e aliados da extrema-direita norte-americana para defender sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
Flávio, por sua vez, protocolou um documento no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo que o tarifaço sobre produtos brasileiros fosse adiado para depois das eleições de 2026. No mesmo documento, defendeu que Washington adotasse sanções individuais contra autoridades brasileiras, com base na Lei Magnitsky , em vez de recorrer a medidas que afetassem toda a economia do País.
Prioridades para outubro
Outro trecho destacado pelo partido é o item 6 da resolução. Nele, o PT contrapõe os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) ao atual mandato de Lula, afirmando que as gestões anteriores aprofundaram a fome, o desemprego, a precarização do trabalho e a concentração de renda. O texto sustenta que o atual governo recolocou o Estado como indutor do desenvolvimento econômico, e defende que responsabilidade fiscal e justiça social podem caminhar juntas.
O documento afirma ainda que a reeleição de Lula deve ser acompanhada da eleição de governadores aliados e, principalmente, da construção de uma maioria governista na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo o PT, apenas uma nova correlação de forças no Congresso Nacional permitirá aprovar reformas estruturantes, fortalecer as políticas públicas e ampliar a capacidade de planejamento do Estado.
Além de definir a soberania nacional como um dos principais temas da disputa eleitoral, a resolução orienta a militância a ampliar a mobilização nas ruas e nas redes sociais, fortalecer a comunicação do partido e participar da elaboração do programa de governo de Lula. O documento foi aprovado pelo Diretório Nacional em Brasília e servirá de base para a estratégia política do PT na campanha presidencial de 2026.