Militares de alta patente ouvidos pela Folha de S.Paulo demonstram apreensão com a possibilidade de que, se o senador Flávio Bolsonaro confirmar seu favoritismo e vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, o Brasil passe a integrar o Escudo das Américas, iniciativa contra o crime organizado liderada pelos Estados Unidos de Donald Trump.
Segundo o jornal, para Dan Erikson, ex-integrante do Departamento de Defesa dos EUA e ex-assessor da Casa Branca nos governos Obama e Biden, a adesão brasileira teria importância estratégica. “Ter o Brasil fora dessa iniciativa representa uma grande lacuna estratégica que tenho certeza de que o governo Trump gostaria de mudar”, diz.
Um integrante do Exército brasileiro afirmou que a Força ainda não discutiu o tema, mas vê a ideia com apreensão. Segundo esse alto oficial, diferentemente do tipo de cooperação militar que já existe com os EUA, como exercícios e compra de equipamentos, uma operação estrangeira em território nacional seria um desdobramento sem precedentes.
Ainda assim, esse oficial diz à Folha não ver preocupação imediata do Exército, que espera o resultado do processo eleitoral e novas sinalizações de Flávio para saber o que esperar. “Ainda não há evidências de que isso esteja impedindo ou reduzindo o tráfico de drogas no longo prazo”, afirma.
Erikson, por sua vez, avalia que uma eventual adesão não significaria autorização automática para operações militares americanas em território brasileiro. A extensão da cooperação dependeria, segundo ele, das decisões do Planalto.