O roteiro do filho promete ser o mesmo do pai. Em relação às terras indígenas, não é diferente: desumanização dos povos originários, negação da demarcação de territórios tradicionais e defesa da produção agropecuária e minerária dentro deles.
Durante a campanha eleitoral à Presidência da República, Flávio Bolsonaro repetiu frases sobre povos indígenas semelhantes às que seu pai disse durante os anos em que esteve à frente do Executivo federal. E sinalizou que seguirá pelo mesmo caminho: ausência (e destruição) de políticas voltadas a esses territórios e ataques ao modo de vida tradicional.
Flávio, assim como Bolsonaro, compara indígenas a animais. “Eles não querem mais ser um animal de zoológico”, disse, em uma entrevista, ao defender a exploração econômica dos territórios indígenas pela agropecuária e mineração.
Em uma visita a uma feira do agronegócio no Mato Grosso, meses atrás, Flávio também reforçou que, assim como o pai, não irá demarcar terras indígenas. “Se depender do nosso governo, nenhuma dessas reservas será demarcada porque a vocação do Estado é a produção.”
Na ocasião, o presidenciável afirmou também haver uma “tentativa ideológica” do governo Lula de “atrapalhar” o agronegócio. “Há pedidos da Funai por demarcações de reservas indígenas que podem totalizar 2,2 milhões de hectares, atingindo 22 municípios do Mato Grosso. É inaceitável.”