A Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. processa o Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, e cobra mais de R$ 4,5 milhões em uma disputa ligada ao contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para pontos de wi-fi na periferia. A empresa afirma que houve irregularidades na execução do convênio; o ICB acusa a terceirizada de descumprir o acordo, interromper serviços e tentar extorquir R$ 2,5 milhões.
A terceirizada sustenta que instalou sozinha 3.200 pontos de wi-fi do programa municipal, embora prestações de contas apresentadas pela ONG ao município tenham atribuído parte dos serviços à Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda. Na ação, a Ultra IP afirma que a Favela Conectada recebeu R$ 12 milhões para instalar 2 mil pontos de acesso sem executar os serviços.
A Ultra IP tinha contrato de R$ 30,7 milhões com o ICB para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi, mas afirma que a ONG rompeu o acordo unilateralmente em setembro de 2025 sem quitar o valor devido. Na petição, a empresa diz que o ICB elevou o valor do ponto de R$ 712 para R$ 825 em uma manobra para “zerar artificialmente os créditos” da terceirizada.
A defesa de Karina Gama acusa o proprietário da Ultra IP, William Silva Ferreira, de má-fé e anexou ao processo um inquérito instaurado pela Polícia Civil de São Paulo em 5 de maio. No relato policial, Karina afirma que o empresário exigiu mais de R$ 2,5 milhões para não procurar a imprensa e divulgar informações sobre a relação contratual entre as empresas.
A Prefeitura de São Paulo pede que Karina Gama devolva pelo menos R$ 906 mil aos cofres públicos por notas fiscais canceladas e exige documentos e justificativas para outros R$ 12 milhões em gastos apresentados na prestação de contas do contrato. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a relação jurídica do município ocorre apenas com o ICB e que a escolha de fornecedores cabe à entidade parceira.