O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro não foi ao Senado nesta quarta-feira (14) mas participou da votação da PEC que acabou com a jornada 6×1. Mesmo tendo repetido várias vezes que é contra a mudança e que defende outras alternativas, como a remuneração de hora trabalhada, Flávio votou a favor da PEC. No entanto, integrantes de sua campanha já articulam formas de alterar as regras da jornada de trabalho caso ele chegue à Presidência em 2027.
Pouco antes da votação, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), confirmou que, se eleito, Flávio vai insistir na PEC (proposta de emenda à Constituição) que autoriza o pagamento por horas trabalhadas. Em conversa com jornalistas, o congressista afirmou que a medida seria uma “alternativa” para o trabalhador.
A ideia, diz Sóstenes, é aprovar uma proposta que dê a liberdade para que o trabalhador escolha se quer negociar com o patrão ou se prefere trabalhar com carteira de trabalho seguindo as regras da CLT.
“Nós queremos as horas como alternativa ao trabalhador. O que o trabalhador quiser escolher. Quer trabalhar por horas? Você tem a opção de trabalhar por horas. Não, quero trabalhar CLT. [A negociação seria] empregador é empregado, como é no MEI. Na nossa mentalidade, nós nunca vamos mudar o conceito, a melhor relação é horas trabalhadas e horas recebidas”, defendeu o deputado.
A estratégia começou a ser discutida apesar de o senador ter declarado, na terça-feira (13), que votaria a favor da redução da jornada. A campanha enviou aos investidores mensagem de que as regras serão modificadas, utilizando interlocutores para evitar que Flávio seja diretamente vinculado a uma eventual reversão da medida que passou a apoiar publicamente.