Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella foi detido em flagrante durante a sexta fase da operação Unha e Carne, da PF. Marcelo Crivella pode assumir como candidato ao Senado com Rogéria Nantes, mãe de Flávio Bolsonaro, seguindo como suplente.
Por: Plínio Teodoro Publicado: 08/07/2026 - às 12h57 Atualizado: 08/07/2026 - às 12h58 | 5 min de leitura
- Márcio Canella, ex‑prefeito de Belford Roxo e pré‑candidato ao Senado pela chapa de Flávio Bolsonaro, foi preso em flagrante na terça‑feira (08) após a PF encontrar um fuzil na mala de seu carro.
- A prisão ocorreu na sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro em postos de gasolina com movimentação superior a R$ 7,6 bi em seis anos.
- Canella foi conduzido ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica (Zona Norte do Rio), e aguarda audiência de custódia para decidir sobre a manutenção da prisão.
- Na residência do político, a PF apreendeu outras armas, munições e relógios de luxo, o que pode retirar sua candidatura ao Senado.
Márcio Canella (União-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), foi preso em flagrante nesta terça-feira (08) depois que agentes da Polícia Federal encontraram um fuzil na mala de seu carro durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de lavagem de dinheiro em postos de gasolina com movimentação superior a R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Canella deu entrada no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, por volta das 21h, e aguarda audiência de custódia para que a Justiça decida se a prisão é mantida ou se ele responderá em liberdade.
O aliado do clã Bolsonaro era, inicialmente, apenas alvo de mandado de busca e apreensão. A situação mudou de patamar quando os agentes federais encontraram um fuzil na mala de seu carro: o ex-prefeito foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de uso restrito e conduzido para prestar depoimento antes de ser transferido para o Presídio José Frederico Marques, unidade considerada a porta de entrada do sistema penitenciário fluminense. Na residência de Canella, a PF apreendeu ainda outras armas, munições e relógios de luxo.
O político aguarda audiência de custódia, etapa em que a Justiça analisa a legalidade da prisão em flagrante e decide se o preso responderá ao processo em liberdade ou continuará detido.
Filiado ao União Brasil, Canella havia deixado a Prefeitura de Belford Roxo neste ano para se lançar candidato ao Senado com o apoio declarado de Flávio Bolsonaro. A prisão com uma arma de uso restrito, no entanto, transformou o que seria uma operação de busca e apreensão em detenção em flagrante, alterando de forma imediata tanto a situação jurídica quanto o cenário eleitoral do pré-candidato.
Impacto político e a corrida pelo Senado
A prisão de Canella reabriu imediatamente a disputa pela vaga ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. O ex-prefeito havia sido construído como o nome do União Brasil para compor a candidatura majoritária ao lado do filho do ex-presidente, e sua detenção em flagrante com um fuzil deixou o espaço em aberto a menos de um ano das eleições.
O nome que ganhou mais força nas conversas entre interlocutores do União Brasil e do PL é o de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil do Rio. Seu perfil ligado à segurança pública e a boa interlocução entre os partidos da aliança são apontados como diferenciais. A candidatura, porém, esbarra em resistência interna no PP: o partido trata Curi como um dos principais puxadores de votos para a Câmara dos Deputados em 2026, e sua migração para a disputa majoritária obrigaria a legenda a redesenhar a estratégia para ampliar a bancada federal.
Outros nomes circulam nas conversas, sem definição. Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, é mencionado, mas interlocutores da federação avaliam que uma candidatura majoritária esbarra no desgaste provocado pelo caso Banco Master: Rueda admitiu que seu escritório prestou serviços jurídicos ao banco de Daniel Vorcaro, e relatórios da Receita Federal apontam que escritórios ligados a ele receberam R$ 6,4 milhões da instituição. Leniel Borel, vereador do PP e pai de Henry Borel, também passou a ser citado, com boa projeção pública mas articulação política ainda considerada insuficiente para uma disputa ao Senado.
O nome de Marcelo Crivella (Republicanos) foi levantado por uma ala do PL, mas é tratado como hipótese de baixa probabilidade por conta de acordos políticos já firmados. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, permanece no radar como opção para a suplência, sem movimento em direção à candidatura titular.
A Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne chegou à sua sexta fase com o objetivo de desarticular uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina como estrutura para lavagem de dinheiro. A investigação nasceu de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos ligada ao grupo investigado. Os mandados de busca e apreensão foram determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Além de Canella, são investigados o delegado Marcus Amim, o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira e um ex-PM, todos alvos de mandados cumpridos na terça-feira. A operação abrangeu 19 endereços na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Foram apreendidos 11 carros de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão, e cerca de R$ 800 mil em espécie encontrados em uma empresa em Niterói. A Justiça também determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo, cujos nomes e valores totais não foram divulgados pela PF. Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF por determinação do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. O escopo da investigação, que combina agentes de segurança pública, um ex-prefeito e uma rede empresarial suspeita de movimentar bilhões, ilustra a dimensão do esquema que a PF busca desmantelar.
Siga nosso canal no WhatsApp Priorizar nos meus resultados Google Siga-nos no Siga-nos no Comunicar erro