Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos divulgue a decisão final da investigação comercial que pode resultar na aplicação de tarifas de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Na véspera do anúncio, o governo brasileiro realizou a quinta reunião de alto nível com representantes dos Estados Unidos desde 7 de maio. Em comunicado à imprensa, o Planalto informou ter reiterado que a medida é “injusta” e manteve a defesa de uma solução negociada. O governo também atribui a escalada da crise à articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro junto ao governo estadunidense.
“Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias”, diz a nota.
A reunião contou com equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo o governo, as conversas seguem orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manter o diálogo até o fim do prazo estabelecido pelos Estados Unidos.
A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo de Donald Trump propôs uma tarifa de 25% ao afirmar que políticas adotadas pelo Brasil restringem ou oneram empresas estadunidenses. Entre os pontos citados estão o Pix, decisões sobre plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e fiscalização ambiental.