O filme “Dark Horse”, que recria o atentado à faca contra Jair Bolsonaro e a vitória eleitoral de 2018, virou preocupação na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, embora reserve ao senador um papel discreto e dê mais espaço à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio assistiram ao longa antes da estreia nos cinemas, prevista para depois das eleições, para avaliar riscos de judicialização e novos desgastes. A avaliação interna é que o personagem do senador tem poucos diálogos e participação secundária na trama.
A crise em torno da produção ganhou força após mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostrarem Flávio cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para financiar o filme. O episódio levou aliados a discutir o impacto do lançamento nas intenções de voto do senador.
Depois da sessão, assessores de Flávio passaram a defender que “Dark Horse” se aproxima mais de um thriller policial sobre a facada sofrida por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) do que de uma cinebiografia. O filme recria cenas como um debate presidencial, mas não usa os nomes dos adversários de Bolsonaro em 2018; o autor do atentado aparece como um militante de esquerda, sem receber o nome de Adélio Bispo.
Um rascunho do roteiro explora a relação entre Bolsonaro e Michelle com cenas do casamento, do parto da filha Laura e do apoio da mulher durante a campanha de 2018. “As coisas que dizem sobre você… Isso me assusta. Estão tentando provocar alguém para te machucar”, diz a personagem da ex-primeira-dama. “Nossa filha precisa de você. Eu preciso de você.”