O Partido Liberal (PL) oficializa, em convenção nacional neste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República para as eleições de 2026. O lançamento ocorre em meio a um cenário de profundo isolamento político, marcado pelo racha com o Centrão, pela ausência de um candidato a vice-presidente [1] e pelo avanço de frentes de investigação da Polícia Federal (PF) autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A convenção nacional do partido expõe os limites da articulação política do grupo governista. O evento deverá terminar sem o anúncio do nome que irá compor a chapa majoritária com Flávio Bolsonaro. O PL tem até o dia 5 de agosto — prazo limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — para definir a vaga.
Diante do fracasso em atrair legendas parceiras, a cúpula do PL admite que o caminho mais provável é a escolha de uma “chapa pura”, recorrendo a nomes internos da própria sigla, como deputadas federais ou a ex-presidente da Caixa Econômica, Daniella Marques. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou publicamente que a palavra final caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-mandatário, contudo, acompanha o processo de forma restrita: cumpre prisão domiciliar e está legalmente proibido pelo STF de manter contato com o próprio filho.
A fragilidade da união interna também fica evidente com a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Embora ambos tenham divulgado um vídeo recente anunciando uma “trégua” após meses de embates sobre o controle de diretórios no Ceará, Michelle não deverá comparecer ao ato político em São Paulo, optando por blindar sua própria pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
A solidão do PL nas urnas reflete o desembarque em massa de antigos aliados. Siglas de peso do Centrão que sustentaram a base bolsonarista em 2022 decidiram adotar a neutralidade formal no primeiro turno. É o caso da federação formada por Progressistas (PP) — liderado por Ciro Nogueira — e União Brasil. Outras legendas importantes, como o Republicanos e o Podemos, seguem a mesma diretriz de distanciamento.