A convenção do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, deveria marcar a unificação da direita em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Terminou produzindo o efeito contrário. Em vez de simbolizar a consolidação de uma ampla coalizão conservadora, expôs as dificuldades políticas da candidatura logo em seu lançamento.
A imagem que ficou registrada não foi a de uma direita unida, mas a ausência de parte importante de suas lideranças e o protagonismo de convidados estrangeiros que ocuparam o espaço político deixado vazio dentro do próprio campo conservador brasileiro.
O presidente argentino Javier Milei transformou-se na principal estrela do evento. Donald Trump e Benjamin Netanyahu enviaram mensagens de apoio. Jair Bolsonaro apareceu como um avatar produzido por inteligência artificial. Ao final da convenção, a impressão dominante era incomum: a candidatura brasileira parecia depender mais da presença de lideranças internacionais da ultradireita do que da mobilização de seus próprios aliados nacionais.
Essa percepção não ficou restrita aos adversários de Flávio Bolsonaro.
Nesta terça-feira, 28, o jornal O Estado de S. Paulo, tradicional porta-voz da direita liberal brasileira, publicou um editorial contundente sob o título “Um candidato nanico”. Segundo o jornal, sem apoio consistente do Centrão e sem um discurso próprio, Flávio estaria recorrendo a Trump, Milei e Netanyahu para disfarçar a fragilidade de uma candidatura que existe sobretudo em função do sobrenome do pai. O editorial afirma ainda que o senador “atrelou seu destino como candidato a atores externos” e que essa estratégia tende a fortalecer eleitoralmente Luiz Inácio Lula da Silva.