- Valdemar Costa Neto (PL) e Marcos Pereira (Republicanos) se encontraram em Brasília nesta quarta‑feira para discutir a aliança na pré‑candidatura de Flávio Bolsonaro.
- O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, e lideranças de estados estratégicos participaram da reunião.
- As negociações avançaram, mas o acordo nacional ainda não foi concluído por causa de disputas por palanques e cargos estaduais.
- Os partidos buscam resolver as questões regionais antes da convenção prevista para 25 de julho.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, se reuniram nesta quarta-feira em Brasília para discutir a aliança em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O encontro contou com a participação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, e de lideranças de estados estratégicos. Apesar do avanço declarado pelas partes, dirigentes envolvidos nas tratativas admitem que o acordo nacional ainda não foi fechado: o que trava a aliança não é divergência ideológica, mas a disputa por palanques e cargos estaduais.
Reunião e o avanço das negociações
As negociações entre PL e Republicanos ganharam novo impulso nesta quarta-feira com um encontro em Brasília entre Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira. Além dos presidentes das duas siglas, participaram o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e parlamentares de estados considerados estratégicos para a montagem dos palanques estaduais. O objetivo declarado foi avançar na construção da aliança em torno da pré-candidatura de Flávio à Presidência.
Ao deixar a reunião, Marinho foi direto sobre o estágio das tratativas: “Estamos conversando com os estados e com os partidos, fazendo um trabalho que antecede a convenção do dia 25 de julho. Buscamos ampliar o leque de apoio e resolver os palanques regionais que ainda remanescem.” Apesar do tom positivo, dirigentes envolvidos nas negociações foram claros ao afirmar que o acordo nacional ainda não foi fechado. A formalização da aliança, segundo eles, depende da solução dos impasses regionais, e não o contrário.
Os impasses estaduais e as prioridades
Questionado sobre quais estados concentram as principais pendências, Marinho citou Acre, Espírito Santo e Minas Gerais como focos das negociações. Além desses, lideranças de Mato Grosso do Sul e Roraima também participaram do encontro, indicando que o mapa dos impasses é mais amplo do que o declarado publicamente. O Republicanos, por sua vez, deixou claro que considera prematuro discutir a composição da chapa presidencial enquanto os acordos estaduais não estiverem resolvidos.
A lógica é direta: o Republicanos quer garantir o apoio do PL às suas pré-candidaturas a governador em estados como Acre, Mato Grosso, Espírito Santo e Roraima antes de se comprometer com qualquer aliança nacional. Um dos participantes da reunião foi o senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre. Após o encontro, ele afirmou que “a conversa fortaleceu o entendimento entre os partidos” e que as tratativas terão continuidade nos próximos dias. O tom otimista, contudo, não esconde que o acordo ainda está em aberto.
A moeda de troca: cargos e palanques
A dinâmica das negociações expõe com clareza o que move as alianças da direita neste ciclo eleitoral: não é o alinhamento programático, mas a distribuição de poder nos estados. Segundo interlocutores de Marcos Pereira, a economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, é um dos nomes cotados para compor a chapa presidencial como vice, mas sua indicação está condicionada à resolução dos acordos estaduais. Enquanto o PL não confirmar apoio às candidaturas do Republicanos nas disputas regionais, a vaga de vice permanece em compasso de espera.
O senador Magno Malta (PL-ES) avaliou que houve avanço nas conversas, mas foi preciso ao apontar o que ainda falta: “Há muita paróquia para resolver.” Malta também mencionou a necessidade de alinhar o discurso entre os partidos, incluindo a questão dos presos do 8 de Janeiro e a anistia, o que revela que as negociações envolvem não apenas cargos, mas também a tentativa de construir uma narrativa comum para a base bolsonarista. Minas Gerais, segundo maior eleitorado do país, é considerado um dos estados mais estratégicos pela campanha de Flávio, mas segue sem definição a poucos dias das convenções. A legislação eleitoral, vale lembrar, permite que partidos façam composições distintas em nível nacional e estadual, o que amplifica a complexidade e o peso de cada negociação regional.
Próximos passos e a data limite
Rogério Marinho sinalizou que as conversas terão continuidade nos próximos dias e que a expectativa é ter um balanço definitivo na semana seguinte à reunião. O prazo que organiza toda essa movimentação é a convenção partidária marcada para 25 de julho, data limite para a formalização das alianças e o registro das candidaturas. Sem acordo até lá, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro chega às convenções sem o palanque sólido que a campanha busca construir.
O cenário atual mostra que a viabilidade eleitoral de Flávio à Presidência passa, antes de qualquer disputa nacional, pela capacidade do PL de ceder espaço ao Republicanos nos estados. É a lógica clássica do pragmatismo eleitoral brasileiro: o apoio de cima para baixo só se sustenta quando os interesses de baixo para cima estão garantidos. Com menos de três semanas para a convenção, o relógio corre e as “paróquias” ainda estão longe de resolvidas.