A Polícia Federal (PF) investiga se Lídia Maria Figueira Mazelli é “laranja” do advogado Willer Tomaz, um dos amigos mais próximos de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato a presidente da República. Conforme revelou o Núcleo Investigativo do ICL Notícias e a newsletter Noites Húngaras , ela já dirigiu ao menos 14 empresas de Tomaz, apesar de levar uma vida distante do padrão normalmente associado a executivos.
Uma fonte da PF que acompanha a investigação disse à reportagem que “tudo indica” que Mazelli atue como “laranja” do advogado. Ou seja, embora tenha sido registrada formalmente como administradora e presidente dos negócios de Tomaz, a PF suspeita que ela nunca tenha exercido controle efetivo.
Amigo próximo do candidato à presidente Flávio Bolsonaro, Tomaz foi alvo da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Ele foi apontado pelos investigadores da PF como “hub financeiro, patrimonial e logístico” dos beneficiários do esquema.
A PF também apura se o advogado teria lavado dinheiro por meio de apostas em bets. Ele apostou quase R$ 5 bilhões em 2025 em jogos on-line, como mostrou a coluna de Demétrio Vecchioli no site Metrópoles. De acordo com um processo que tramita na Justiça de São Paulo, Tomaz se diz ludopata (aquele que é viciado em jogos de azar) e pede ressarcimento de R$ 163 milhões a uma casa de apostas.
Em nota, a defesa de Lídia Mazelli e Willer Tomaz negou que ela tenha atuado como “laranja” em empresas ligadas ao advogado. Afirmou que Lídia é profissional da área de administração, registrada no Conselho Regional, e que exerceu efetivamente as funções para as quais foi contratada. Willer declarou desconhecer qualquer investigação oficial sobre o caso.