A Polícia Federal vai cruzar os R$ 61 milhões transferidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse com as emendas parlamentares do senador Flávio Bolsonaro.
O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), eleva o caso de uma simples apuração sobre financiamento de cinema para uma investigação complexa. O objetivo central da PF agora é apurar se os aportes milionários ao projeto sobre a vida de Jair Bolsonaro tiveram relação com atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master.
A apuração unifica um circuito investigado de documentos, áudios e contratos revelados em reportagens publicadas desde maio por veículos como Intercept Brasil e Agência Pública. No centro do fluxo financeiro estão remessas que fariam parte de um orçamento global de até US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).
O principal trunfo da PF nesta nova fase é a ampliação do foco. A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), os investigadores não querem apenas rastrear o destino final do dinheiro, mas verificar o seu caminho de volta.
A diligência busca verificar se houve contrapartida política aos aportes. O levantamento vai mapear todas as emendas apresentadas por Flávio Bolsonaro para identificar eventuais favorecimentos ao Banco Master, abrindo uma nova frente sobre o relacionamento do senador com o grupo de Vorcaro. A PGR solicitou ainda o cruzamento de dados com outros inquéritos do banco para localizar movimentações financeiras ocultas.